Até três anos atrás, a sustentabilidade em eventos corporativos era um slide bonito no fim de um deck de proposta. Hoje, para as áreas de Procurement e Sourcing de marcas globais, é um critério eliminatório na avaliação de RFPs. E na América Latina, onde a regulação ambiental varia radicalmente entre países, estados e municípios, a distância entre o que um fornecedor promete e o que consegue de fato executar em campo é enorme. Se a produtora contratada não tem um plano de gestão de resíduos operacional, e não decorativo, você está assumindo um risco reputacional e regulatório que nenhuma cláusula de indenização vai cobrir.
Por que Procurement não pode mais ignorar a pegada operacional de um evento
As políticas ESG corporativas deixaram de ser diretrizes aspiracionais. São mandatos com métricas auditáveis. Quando uma marca global como a Shell ou a Mattel executa uma ativação de marca ou um evento de incentivo em Buenos Aires, na Cidade do México ou em Bogotá, a área de Compliance exige rastreabilidade documental da gestão ambiental. Isso significa que o parceiro operacional precisa entregar dados concretos, não intenções.
O problema real: a maior parte das produtoras da região terceiriza a gestão de resíduos para operadores locais sem verificar o licenciamento deles, sem medir volumes e sem gerar relatórios compatíveis com os padrões que a matriz exige para o seu reporte global de sustentabilidade. O que para uma produtora é “um detalhe menor”, para um gerente de Sourcing é descumprimento contratual.
O que um RFP deve exigir em sustentabilidade operacional para eventos na América Latina
A chave está em não aceitar respostas genéricas. Um RFP bem desenhado para ativações de marca na região deveria incluir estes requisitos específicos de capacidade operacional:
- Plano de gestão de resíduos com projeção volumétrica: antes do evento, o fornecedor precisa estimar a tonelagem de resíduos por categoria (orgânicos, recicláveis, perigosos, eletrônicos) a partir do público esperado, da duração e do tipo de ativação. Sem essa projeção não existe logística integral possível.
- Rede de operadores de destinação final licenciados por jurisdição: na Argentina, a habilitação para transporte e destinação de resíduos é municipal e provincial. No México, entra a SEMARNAT. Na Colômbia, as CAR regionais. O fornecedor precisa demonstrar que tem convênios verificáveis com operadores certificados em cada praça onde opera, e não apenas na cidade onde fica a sua sede.
- Protocolo de separação na origem com treinamento de equipe: a execução em campo é onde todo plano sustentável fracassa ou funciona. São necessárias ilhas de separação bem sinalizadas, pessoal treinado em cada ponto de geração de resíduos e um responsável ambiental designado por turno operacional.
- Métricas pós-evento com certificados de destinação: o entregável final tem que incluir pesagem certificada por categoria de resíduo, percentual de recuperação e reciclagem, e certificados de destinação final emitidos pelos operadores licenciados. É disso que a área de Compliance precisa para fechar o ciclo de auditoria.
- Gestão de efluentes e consumo de água em produções com catering ou sanitários temporários: especialmente em festivais e eventos ao ar livre, o tratamento de águas cinzas e o fornecimento de sanitários com sistemas de baixo consumo não são opcionais. São exigências regulatórias na maioria das jurisdições da região.
O gap entre capacidade declarada e capacidade operacional real
Na nossa experiência executando produções de alta complexidade na Argentina, na Espanha e em várias praças da América Latina, identificamos um padrão recorrente: 70% dos fornecedores que respondem a um RFP com um capítulo de sustentabilidade copiam frameworks genéricos sem ter a infraestrutura nem os acordos locais para executá-los. A auditoria prévia de capacidade operacional regional nesse eixo é tão crítica quanto verificar se um fornecedor tem geradores de backup ou equipamento de áudio suficiente. Na FILGUA, na Guatemala, processamos mais de 90.000 credenciamentos: a mesma disciplina de medição que sustenta um número desse porte é a que sustenta um relatório de resíduos.
Algumas perguntas que deveriam fazer parte do processo de avaliação de qualquer gerente de Sourcing antes de adjudicar:
- O fornecedor consegue nomear os seus operadores de resíduos licenciados na jurisdição específica do evento?
- Já apresentou relatórios de sustentabilidade de eventos anteriores com dados verificáveis de tonelagem e percentual de recuperação?
- Tem um responsável ambiental dentro da sua estrutura permanente ou terceiriza esse papel projeto a projeto?
- Consegue comprovar conformidade ambiental em pelo menos três jurisdições diferentes da região?
Sustentabilidade como vantagem competitiva na adjudicação
Para as marcas que operam sob padrões globais de ESG, escolher um parceiro de eventos que resolva a gestão ambiental de forma profissional não é só uma questão de conformidade. É uma vantagem de comunicação concreta: poder reportar métricas reais de pegada ambiental das suas ativações de marca, com dados que resistem a uma auditoria externa.
Na SOMOS DER, a gestão de sustentabilidade operacional é um componente padrão da nossa logística integral, não um add-on cotado à parte e executado na improvisação. Cada produção inclui planejamento ambiental desde a fase de desenho, coordenação com operadores licenciados em cada jurisdição e entrega de relatórios pós-evento com métricas auditáveis.
Se o seu próximo RFP para um evento na América Latina não tem um capítulo sério de sustentabilidade operacional, você não está protegendo a sua marca. E se o seu fornecedor não consegue respondê-lo com dados, processos e nomes concretos, você já tem a resposta sobre a capacidade operacional real dele.